-- 5 Minutos Num Trem A Vapor -- Parte II --
-- Ensaio de Conto --
-- Ensaio Nº0000 --
Naquele momento, todos pararam com suas conversas e ocupações, fumos e drinques, viraram seus rostos e olhos cheios de desdém, claramente demonstrando incômodo quanto à perturbação causada pelo estado de Heyler.
Ela recebia aqueles olhares com intensidade demais para o próprio gosto; seu coração começara a bater ainda mais depressa, suas orelhas começaram a arder, seus olhos focavam em todos os outros olhos a encarando – e aquilo era muito assustador, pois Heyler costumava ser discreta desde que muitos olhares a deixavam ansiosa; era tão assustador que Heyler mal conseguia segurar sua postura sentada; então suas mãos amoleceram, suas costas perderam a firmeza e Heyler simplesmente caiu sobre o braço do banco do trem, como massa de pão, toda a molecida antes de ir para o forno.
Clanfer a encarou com um rosto descomplicado, produzindo uma expressão facial de um irmão mais velho olhando para uma criança problemática: “mas o que é que deu nela?”; em seguida puxou de um bolso de dentro de seu casaco um pequeno bastão de madeira de 20 centímetos, bastante uniforme, contendo várias escrituras e gravuras entalhadas nele todo; Clanfer sacudiu levemente o bastão, segurando-o na vertical e apontando seu braço em direção a Heyler. A garota então começou a flutuar levemente, como se a gravidade não existisse e, seguindo o movimento do braço de Clanfer, seu corpo se posicionou no banco de maneira confortável. Clanfer cuidadosamente guardou seu bastão e encostou-se no apoio do banco, um pouco cansado.
As pessoas no trem ainda estavam encarando-a com seu desdém, então Clanfer educadamente retrucou: “O que vocês ainda estão olhando? Nunca viram alguém ter um surto de estresse? Voltem a seus afazeres!”. Imediatamente todos voltaram ao que faziam antes, como se nada tivesse acontecido.
Clanfer, o pouco-conhecido de Heyler, já passara a sentir-se responsável por uma estranha que se comportava feito criança -- mas ele nunca gostou de cuidar de crianças -- então puxou de um bolso ventral do casaco um bloco de anotações e uma caneta de pena, retirou uma folha e começou a escrever algumas coisas, em seguida colocou o papel entre as mãos juntando-as, numa ação de pressionar e depois separar as mãos, nisso a folha formou-se num pequeno envelope.
Ele escreveu na abertura do envelope "De Mr. Clanfer: Não gosto de cuidar de crianças então vou te deixar este bilhete com instruções, presumindo que você saiba ler. Talvez nos encontremos na cidade mais tarde. Aprenda a se cuidar e pare de incomodar os outros."
Clanfer deixou o bilhete sobre o colo de Heyler e foi para outro vagão do trem.
Continua...


Comentários
Postar um comentário