-- 5 Minutos Num Trem a Vapor -- Parte I --

-- Ensaio de Conto --
-- Ensaio Nº0000 --

-- 5 Minutos Num Trem a Vapor --



-- Parte I --

Numa sexta feira nublada de agosto, às 6:45, Heyler chega à estação e segue para a plataforma 4 em direção ao metrô.

A intenção é a de visitar a avó, passar o final de semana e ajudá-la com algumas coisas, a pedido de sua mãe; Heyler acordou cedo o suficiente para ainda estar com sono e pretendia tirar um cochilo durante a viagem, que poderia durar de 20 a 30 minutos.

Ao passar o pé esquerdo da plataforma ao trem, um homem de meia idade, usando estranhos e redondos óculos escuros, usando uma cartola velha com um cachecol verde enrolado na cartola, lhe entrega um conselho sem o menor aviso:

– É melhor não dormir neste trem, por segurança. – Diz o homem sem esboçar a menor expressão facial.

– O que? Porque? – Questiona Heyler, em voz alta com certo espanto – "Ele sabia que eu pretendia dormir?" pensa Heyler consigo – Não, não é possível; alguém deve ter sido roubado ou coisa parecida.

– Ora muito simples, se tu dormires, quem sabe o que poderá lhe acontecer durante o sono? – Respondeu o homem.

– O metrô está cheio de pessoas, é muito pouco provável que algo aconteça, então, se me der licença... – Retirou-se Heyler, passando pelo homem e seguindo em direção ao banco mais distante possível.

Heyler sentou-se no banco, amarrou a mochila à cintura – graças ao receio causado pelo homem – debruçou-se sobre a beirada da janela e fechou os olhos por um segundo – "quem será que era aquele velho maluco?" – e então abriu os olhos.

Quando Heyler abriu os olhos, hesitou por um momento; depois girou a cabeça para todos os lados e seu coração começou a acelerar, o coração acelerado lhe fez suar e enquanto tentava regular sua respiração, um dos passageiros que estava sentado no banco da frente questionou:

– Está sentindo-se bem? Caso não esteja, posso oferecer-te uma porção do meu viscoso para os nervos.

Heyler aparentava palidez devido ao susto; estranhou o que o passageiro disse e murmurou:

– Viscoso? – Esqueirando-se para tras e olhando o passageiro dos pés a cabeça.

– Sim viscoso... bateste a cabeça? – Estranhou, também, o passageiro – estou vendo-te dormir a horas e pensando bem, este deve ser o motivo pelo qual tu estavas dormindo todo este tempo!

– E-Eu não bati a cabeça! Porque está me oferecendo algo viscoso? E onde estamos!? – levantou a voz Heyler.

– Não é "um viscoso", é O Viscoso; meu Viscoso. Este Viscoso custou-me muito caro se quer saber e porque está perguntando onde estamos? Obviamente estamos num trem! - tagarelou o passageiro -- inclusive, sejamos civilizados, meu nome é Clanfer Farrow e a senhorita é?

– He-Heyler Miria... poderia me dizer onde estamos, por favor? – Heyler estava zonza e não conseguia acreditar no que via.

Heyler estava num trem a vapor, cercada por pessoas bem vestidas, usando cartola, capuz, mantos, coletes cheios de botões e bengalas.

– Ja disse-lhe que estamos num trem; acredito que a pergunta seja "para onde estamos indo"; obviamente o cobrador deve ter dito-lhe o destino do trem, não? Já que a senhorita está aqui; este trem dirige-se a Wanderstone, a metrópole de Greenhills. – tagarelou Clanfer.

-- Wanderstone?! Greenhills?! Que diabos de lugares são estes?! – berrou Heyler, chamando a atenção de todos.

Continua...

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